segunda-feira, 26 de março de 2012

No Chiado, a ordem dos facto(re)s não foi arbitrária


1 - No Sábado, o Expresso online divulgou uma notícia intitulada «As imagens que antecederam a carga policial», que incluía o seguinte vídeo (utilizado aliás como pano de fundo, pelo menos pela SIC, para as declarações que o ministro da Administração Interna fez no mesmo sentido: a carga policial na manifestação de quinta-feira teria sido provocada por agressões físicas à polícia):

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2 - Para além de muitos testemunhos de quem presenciou os acontecimentos (ler, por exemplo, Mentir com quantos dentes se tem na boca), um outro vídeo, primeiro difundido no Facebook e entretanto também em vários blogues, vem contrariar o Expresso e as afirmações do ministro: vê-se a «ordem de marcha» dada pelas chefias à polícia, contra manifestantes que apenas gritavam. O primeiro vídeo, truncadíssimo, mostra reacções que se sucederam (e não que antecederam) à carga policial. 

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4 - Hoje também, Cavaco Silva mostra-se precupado e diz esperar que «que o inquérito ordenado pelas autoridades esclareça tudo o que aconteceu». Pode esperar sentado – e nós também – já que o próprio porta-voz da polícia veio dizer que serão necessários pelo menos seis meses (ou talvez dezoito…) para serem conhecidos resultados. Ou seja: espera-se que já ninguém se lembre exactamente do que aconteceu em 22 de Março de 2012?


Ler para crer! E, já agora, nada mais certeiro como resposta possível do que esta, deixada pela jornalista Rita Marrafa de Carvalho no seu mural do Facebook: 
«Só vou dizer isto uma vez, Sr. Ministro... Já me chamaram Chula, FDP, otária, sanguessuga and so on, and so on. Sempre que o fizeram, eu estava com um microfone da RTP a desempenhar o meu trabalho. Nessas circunstâncias, por mais vontade que tivesse, nunca reagi violenta ou agressivamente. Quer em palavras, quer em actos. Por isso, Sr. Ministro... se os senhores agentes foram "provocados", penso que foram treinados para... não reagir. O objectivo é manter a ordem e não vingar a honra da mãe.» 

Ponto de situação: julgo que ficamos cientes do que nos espera em situações próximas futuras e sabemos com o que podemos contar da parte da polícia e do seu ministro.

(Publicado originalmente em Entre as brumas da memória.)

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